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A PERSUASÃO FEMININA - Meg Wolitzer


Contextualizando...

Em meio a todos este caos de pandemia e tempos de incertezas, fala-se menos em misoginia e movimentos feministas ao passo que crescem os números de violência doméstica. Quase não vejo artigos nos temas, estamos vivendo uma época decadente. Ser feminista e lutar por isso fica meio apagado com milhões de pessoas morrendo por aí, e o racismo ascendendo de uma maneira avassaladora enquanto isso...





Após meses sem pegar em um livro físico, quase entrei em êxtase quando fui ao supermercado e encontrei aberto um quiosque de livros, escondido no meio de um centro comercial. É agora ou nunca, pensei, uma chance única no meio do isolamento social, e peguei o livro mais grosso da prateleira onde havia feministas.

Capa bonita. Indicação da Chimananda na frente, e ao virá-lo outra da Lena Dunham. Nossa, não pode ser ruim, pensei. "A Persuasão Feminina", parece até nome de livro de auto-ajuda, mas a sinopse entregou que se tratava de um romance, e eu precisava de um. Precisava mergulhar em algo e esquecer o mundo decadente. Infelizmente, me arrependi.


A protagonista Greer talvez tenha sido propositalmente construída para ser alguém muito sem graça que lentamente fosse ganhando um appeal maior e evoluindo com o tempo, certamente fracassou. Greer é uma personagem superficial que não tem muitas camadas e deixa bastante a desejar.

O livro narrado em terceira pessoa, tem outros personagens muito mais interessantes e bem construídos, como o par romântico de Greer, Cory. Um personagem denso e cuidadosamente retratado como um ser humano de verdade. Algo difícil de se encontrar em livros e na vida real.

O fato de o único personagem masculino de destaque ser melhor construído do que todas as personagens femininas no livro em conjunto com a diversidade superficial contida nele, levemente vão mostrando que o recado deste livro talvez não seja tão feminista quando a capa, críticas e sinopse sugerem, este livro é o retrato de uma decadência. Tal como o mundo decadente em que vivemos.


A decadência, parece ser o tema. A decadência de uma relação, de uma país e de um sonho. Ainda que o livro trate linearmente da transformação do movimento feminista desde a segunda onda, nos anos sessenta, até o fortalecimento da tecnologia nos anos 2010, ainda que haja inúmeras passagens que nos levem a refletir sobre a sociedade em que vivemos, haja exposição de problemas sociais, cenas realistas da rotina do machismo, e diferentes circunstancias na vida que nos fazem enxergar mais ou menos “o poder” do poder, ainda que tente explicar a misoginia e a luta das mulheres de uma maneira terna e procure entreter o leitor, este livro consegue ser elitista, presunçoso e preconceituoso.

No fim o que era para ser um retrato da história do feminismo branco aos olhos de uma mulher tímida que amadurece e encontra sua voz, acaba se tornando o diário de alguém reclama demais narrado em terceira pessoa. Há alguns flashbacks das vidas dos outros personagens que se destacam e fazem valer um capítulo ou outro.


A cronologia é interessante e os densos mergulhos nas memórias de alguns personagens, com um tipo de detalhismo muito particular, são como pequenos contos à parte e validam a qualidade da história, Meg Wolitzer é uma boa escritora, mas esse livro é bem genérico.

Existe apenas um momento de reviravolta que realmente me entreteve e me manteve lendo até o final, ainda assim achei o final bem superficial, tanto quanto o começo com mais de 100 páginas introdutórias e um meio bem decepcionante.


Eu esperava muito mais, ainda assim ele me deixou pensando: Se o feminismo está realmente morrendo e este livro é apenas mais um dos sintomas? Será que estamos regredindo? Ou será que estamos presenciando a transformação do movimento em algo novo? Será que nossos sonhos ainda serão os mesmos quando a pandemia acabar?





VOLUME LIDO:

A PERSUASÃO FEMININA – 1ª EDIÇÃO 2019 – ROCCO

ESCRITO POR MEG WOLITZER

TRADUÇÃO: SIMONE CAMPOS






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