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  RECOMENDADO 

 PARA +16 ANOS  

Conto - O grito. (pelo dia internacional da Mulher)

Uma campanha pelo fim do feminicídio.




Eles quase não brigavam, viviam bem. Ela não era de reclamar muito, ele não era de fazer coisas para que ela reclamasse. Dependendo do ponto de vista, estava tudo ótimo, perfeito até.

Verinha estava com Luiz a cerca de um ano, e moravam juntos há três meses. Para ela era um novo momento em sua vida, sair da casa da família, ter sua independência, e ainda como bônus morar com um homem que a amava reciprocamente. Ela estava nas nuvens.


Numa quarta feira ela ouviu uma alguém gritar por socorro, achou que estava louca. A voz se ouvia bem longe, a pessoa parecia estar gritando, mas ao mesmo tempo parecia estar abafando a voz. Aquilo incomodou Verinha.

Luiz estava trabalhando e ela ainda estava desempregada, em casa, sozinha. Espalhava currículos, mas como nunca havia trabalhado, agaurdava respostas e Luiz dizia que ela não era uma despesa, além do mais ela podia voltar para a casa dos pais, não haviam problemas. Verinha ainda tinha 19 anos e morava na zona oeste, num bairro que se poderia chamar de tranquilo comparado aos outros ao redor.

Ela acabou esquecendo aquele grito. Deixou para lá.


No dia seguinte ela ouviu novamente, desta vez ela tinha certeza que era real, havia alguém pedindo socorro. Ela tinha que saber de onde era, e tinha que ligar para a polícia. Pegou o celular em cima da cômoda e saiu a procura da voz. Caminhou entre as casas e becos da área mas não ouviu nada, algumas tinham mais de 3 andares, mas não era possível ser de tão longe o som. Alguns minutos depois ela desistiu.

Ao chegar em casa ouviu aquela voz outra vez, ficou angustiada mas saiu de novo deu a volta no terreno, e parou perto da janela de onde havia ouvido o grito. Ficou lá de plantão ate que o ouvisse de novo. E ouviu. E achou que sabia de onde era! Pegou o celular novamente, desta vez para ligar 190, mas então notou que o aparelho estava sem chip.

Verinha mandou uma mensagem de whatsapp para Luiz.


- Você tirou o chip do meu celular?

- Sim! para consertar, lembra? Eu te liguei várias vezes você disse que não tinha ligação no celular eu falei que ia levar o chip pra ver.

- Não lembro, não. Mas preciso ligar pra policia, o que eu faço?

- Como assim, pra quê policia?

- Tem uma vizinha gritando, pedindo socorro, eu preciso ajudar.

- Ahh que isso, não deve ser nada.

- Mesmo assim preciso ligar, você liga? Da o endereço daqui? Eu espero eles.

- Ligo.

Duas horas depois.

- E aí o que eles falaram Lu?

- Quem?

- A policia!

- Você não ligou?

- Vou ligar depois pô.

- Luiz, a pessoa tá gritando socorro, não é pra ser depois liga agora!

- É normal cara, se acalma.

- Eu tô pedindo pra você ligar!

Ele bloqueou ela no whatsapp.


Ela ficou chocada mas não havia o que fazer, era esperar ele chegar para ela conversar com ele. Ficou pensando na vizinha, mal conseguiu fazer nada em casa, esperando o grito novamente mas ao mesmo sem querer ouvi-lo de novo. Não sabia o que era pior. Mas algo dentro de si a dizia, "Fuja", porém não deu ouvidos.


A noite caiu, e para sua surpresa chegaram duas viaturas e uma ambulância a duas casas de distância da sua, de onde suspeitou que o grito viera.

Verinha chegou perto e perguntou para um grupo de curiosos o que houve. Uma senhora, nem um pouco abalada disse que o marido havia matado a moça. Que achou estranho a moça ficar tantos dias sem aparecer na padaria. "Os policiais disseram que ela apanhou muito", continuou a senhora, "e que ele fez outras coisas, mas essa moça andava com uns vestidos muito curtos mesmo..."


Verinha entrou em choque e voltou para casa, não havia mais o que fazer. Começou a chorar. Quando Luiz chegou em casa e a viu chorando ele perguntou se foi porque ela tinha se arrependido do que fez.

- O que eu fiz?

- Você me desrespeitou - respondeu, enquanto tirava a camisa e os sapatos.

Ela não entendeu, mas sentia que podia ter salvo aquela moça e gritou:

- Ela morreu! Ela morreu!

Ele tirou o cinto e disse.

- Torce para você não ser a próxima. - E a espancou até a inconsciência.


No dia seguinte verinha acordou com muita dor, quase não conseguia se mexer, não encontrou o celular, nem a chave de casa. A porta estava trancada, e foi então que ela se deu conta das barras da janela. Não havia como sair.


Lentamente Verinha foi tentando se recordar como havia chegado naquele ponto, e então se deu conta de que já não falava com seus amigos há meses e que raramente falava com a família, apenas o trivial.

Verinha não saía muito de casa, pois Luiz a convenceu que enviar currículos pela internet era melhor. O notebook também não estava mais lá. Ela já havia notado que uma ou outra peça de roupa sumiam misteriosamente e que Luiz não gostava muito quando ela falava em sair. Mas achava que era uma insegurança boba de homem apaixonado... Ingênua, o que estava desaparecendo era ela.


Queria chorar, mas a dor do rosto não permitia. Ela havia se deixado entrar naquele buraco, e naquele momento tinha certeza de que ia morrer ali, mas mesmo assim, chegou até a janela e tentou gritar o mais alto que pôde, mesmo com os dentes quebrados: Socorro!




Mulheres, este grito é de todas nós!

Abram seus olhos, abram seus ouvidos, apurem seus sentidos.

Fazemos as escolhas que fazemos, pois fomos ensinadas algo errado, vamos então aprender o certo!! O certo para cada uma de nós!

FAÇAM TERAPIA!


Nunca permitam que suas vidas sejam controladas nem sustentadas por ninguém a não ser vocês mesmas, e antes de fazer qualquer coisa na vida, se eduquem, se orientem e se conheçam! O AUTOCONHECIMENTO SALVA VIDAS!


Se você está viva, estude, invente algo, seja revolucionária, batalhe por sua independêcia e pelo seu amor proprio! Se ame mais que tudo! Seja feliz por ser quem você é, ame seu corpo e cuide dele! Se orgulhe de querer ser alguém melhor todos os dias e não espere por ninguém. Salve a si mesma, pois se cada mulher salvar a si própria, já salvamos metade do mundo!


SAIA DA MATRIX! E Feliz dia da mulher.


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