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Crônicas Modernas - RESISTÊNCIA LITERÁRIA


“Tá doida!” Foi o que eu ouvi.

Em seguida a voz aleatória se aproximou de mim em forma de uma garota e disse: “Oi, você gosta de ler?”

Eu ri e respondi: “Sim, na verdade eu sou escritora.” Toda animada.

“Escritora? Sério?”

“Sim, é meu trabalho.” Sorridente.

Ela ficou descrente. Mostrei meu livro, que por acaso eu tinha numa sacola pois estava indo fazer entrega, e ela pareceu acreditar menos ainda, se é que isso é possível, mas ainda assim vi um certo brilho nos seus olhos. Falei pra ela me seguir no Instagram e depois ela se foi.


“Se não quiser ler, pode jogar fora.” Disse o tio para a criança. Encontrou na faxina meia dúzia de enciclopédias e alguns livros de autores independentes amigos dele, que perdeu o contato com o passar dos anos. “Eu conheço todos esses escritores aí viu?” Como quem parecia até se importar, depois largou a caixa com o menino e se foi.


É isso. É isso que nos tornamos. Nomes em capas, memórias, rodapés e xícaras. Estampas bonitas criadas a partir de mundos que nós inventamos, bonecos dos nossos personagens. Sementes de sonhos e só. A gente escreve e depois morre, e o que deixamos pra trás são livros, papéis e HDs lotados.


As vezes a gente publica o que escreve e raras são as pessoas que realmente leem, mais raro ainda quem diga que leu e que fez alguma diferença, ainda que mínima em suas vidas.

Quando um ser iluminado desses, chamado leitor, vem até nós, é como Deus provando que ele existe. E me sinto no direito de morrer em paz todas as vezes que me recordo de alguma conversa que tive com leitores que interagiram com o que eu escrevi.


Notem que no meu perfil o Instagram já não me intitulo escritora, mas sim como resistência literária. Hoje fui à praia e durante quatro horas eu vi um total de zero pessoas encarando algum tipo de dispositivo de leitura. Nada, nem celular. Acho que as Fake News assustaram tanto que existe um novo tipo de analfabetismo voluntário.

“Me recuso a ler qualquer coisa!” foi o que ouvi um dia desses no metrô, entristeci.


Acho que ninguém mais lê, e pouco se aceita por escrito. Eu fiz um teste e deu certo. Fotos bonitas minhas dão mais likes do que contos bem desenvolvidos com pesquisa e tudo. Tenho visto escritores transbordando livros, mas não vejo quase ninguém lendo os nacionais.


Ainda assim, continuo escrevendo. Escrever é resistir. E posto textos com foto bonita, com foto feia, sem foto, no Instagram, no Nudez Mental e nas muretas da vida. Não é vandalismo se é a única coisa que algumas pessoas leem, né?

Em quatro anos eu escrevi três livros, inúmeras crônicas, e contos a perder de vista. Se alguém lê eu escrevo, se ninguém lê eu também escrevo. Escrevo no computador, na máquina, no papel, nos braços, testas, e paredes... E ainda que eu só deixe isso e nada mais, ainda está valendo a pena. Prazer, sou resistência literária.





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