mantenha sua mente aberta menr.png

  RECOMENDADO 

 PARA +16 ANOS  

OUTROS JEITOS DE USAR A BOCA - Rupi Kaur

Atualizado: 31 de Jul de 2018

DESNUDANDO O LIVRO:


Entre versistas e prosaístas existe uma notável diferença no modo de tratar a inspiração, os poetas não têm medo das palavras nem de brincar com elas, despi-las ou sacudi-las a esmo pela página em branco sem nenhuma pretensão. Para um poeta, a concordância, o plural e o sufixo não são os amigos mais queridos por perto, e as palavras precisam ser livres para que possam fazer a poesia existir. A poesia precisa ser livre para que o poeta exista. Não foi à toa que inventaram a licença poética.


Já os contistas são contidos, tomam cuidado para escolher meticulosamente cada palavra, respeitando sua integridade e posicionando-a delicadamente em seu devido lugar, como um detalhado quebra-cabeças que exibe em “full HD”, o que o autor imagina.

Existe um desejo de ser compreendido muito maior do que o do poeta que geralmente só quer encontrar um jeito de arrancar pelos dedos aquilo que não sairia da boca nem do pensamento.

O livro Outros Jeitos de Usar a Boca, de Rupi Kaur, ensina isso ao leitor do começo ao fim. Apesar de ser um livro de poesias autobiográfico de uma moça jovem e dotada de grande sensibilidade (sim, eu sei que isso soa efêmero e meio clichê), esse livro consegue chamar atenção para aquilo que chamamos de verdadeira inspiração. Quando uma ideia se torna tão forte dentro da mente que palavras avulsas e imagens, simplesmente brotam do desejo incontrolável de transmitir aquilo que está sendo pensado/sentido de qualquer maneira...


Quando essa inspiração surge é como uma série de ondas que vão e vem, então essa moça pegou uma prancha e resolveu surfar em suas ondas, brincar com as palavras, tirar e pôr sentido em coisas que não pareciam precisar ser ditas. Ela cutuca a ferida da onça com vara curta, se é que me entende. Mas é para isso que as palavras existem, né, para que tudo seja dito. E é por isso que ela se tornou numero 1 na lista de livros mais vendidos do New York Times, mesmo sendo apenas um livro de poesias quase displicentes acompanhadas de desenhos rabiscados. Chega a ser surpreendente, e pensei, será que os americanos haviam esquecido o que era poesia e Rupi Kaur veio para lembra-los?

É poesia. Rolam uns dois ou três textinhos complementares mas que não deixam de estar em verso com a coisa como um todo. Então concluo que talvez ela tenha se destacado por escrever versos pequenos e avulsos num mundo feito por geração que se acostumou a textos de, no máximo, 140 caracteres, mas também pela forma crua e até barbara que ela trata de assuntos que costumam ser vendados pelas maravilhas da internet.


Fonte: Divulgação- Rupi Kaur

É autobiográfico, ela fala de sua vida por inteiro, desde o amor por sua mãe, a abusos sofridos na infância, passando pelo florescer da vida adulta, da faculdade, do corpo, do amor de um homem e do processo de libertação e cura do relacionamento abusivo dela com esse homem, e além disso, a relação abusiva que o mundo em si tem para com as mulheres em geral. Ela transformou suas próprias mazelas nas mazelas de todas as mulheres, escritoras e artistas, que são batalhadoras para simplesmente existir.

No contexto geral é um livro que fala do feminino e da experiência feminina como um todo, desde o nascimento e as expectativas surreais e ensinamentos opressivos que nos moldam até finalmente nos tornamos mulheres e nos questionarmos o que de fato isso significa.

É sensível, demais até, e chega a fazer pulsar as cicatrizes que a vida nos deu.


Esse livro é capaz corroer os olhos daqueles que jamais estiveram em contato com a verdade poética, livre, e que tem licença pra tudo, inclusive te deixar com raiva, e fazer-nos sentir dor. Atenção: Não é um livro para os iniciantes na vida, nem na poesia nem na feminilidade. É um livro para quem não as teme, pois quem temer, não conseguirá suportar tamanha ousadia. E aproveitando o gancho, FORA TEMER.





VOLUME LIDO: OUTROS JEITOS DE USAR A BOCA

AUTORIA: RUPI KAUR

EDITORA: PLANETA

TRADUÇÃO: ANA GUADALUPE

1ª EDIÇÃO 2017


#criticaliteraria #criticaspeladas #criticas #nudezmental #opinião #semcensura #semspoilers #literatura #internacional #livro #poesia #desenho #outrosjeitosdeusaraboca #rupikaur #editoraplaneta #inspiração #pureza #feminismo #identidade #vida #mulher #veromundo #leréviajar #empoderamento #comoportamento #amorproprio #sinceridade #relacionamento #familia #reflexão #maturidade #classicoinstantaneo #cultura #leiamais #leiamulheres

31 visualizações

 ONDE AS PALAVRAS NÃO TÊM PUDOR. 

 O SEU PORTAL DE LITERATURA E ARTE! 

LOGOsocabeça.png
Botão Pagin Inical
Botao Críticas Peladas
Botão Crônicas Modernas
Botão Poesias Cruas
Botão Vitrine