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  RECOMENDADO 

 PARA +16 ANOS  

QUE NINGUÉM NOS OUÇA - Leila Ferreira e Cris Guerra

DESNUDANDO O LIVRO:


Fiquei com uma sensação estranha ao terminar este livro, a sensação de que ele não deveria ter acabado, sentindo-me praticamente ofendida com a infinidade de coisas que eu ainda queria conversar com a Leila e a Cris (que no momento não vou utilizar seus sobrenomes pois estou muito íntima delas, muito mesmo).

Mas é essa a sensação nostálgica que se tem ao término de cada encontro de amizade verdadeira, como quando estou com meus amigos eu nunca quero ir embora, e quando vamos embora, logo fico com vontade de voltar e terminar aquela anedota que ficou para depois.


São tantas coisas que ficam para depois no dia a dia corrido da gente. Entre elas aquele tempinho de parar tudo e pensar, será que estou vivendo certo? Não aquele certo que todo mundo fala; parametrizado e lapidado dentro de uma idealização existencial que foi criada por um conjunto de pessoas muito entediadas, mas aquilo que é certo para si. Ou melhor, será que eu estou bem?


É costume perguntar para as pessoas se está tudo bem, e a maioria responder que sim, no automático, educada e roboticamente, poucas vezes nos perguntamos se essa resposta é real, sendo nossa ou alheia, geralmente a resposta é que está tudo bem, mas a realidade é que não está. Temos frustrações, agonias, desamores e dúvidas, muitas dúvidas. Ninguém é presenteado ao nascer com uma cartilha intitulada “como viver”, viver é um experimento, uma tentativa atrás da outra, um aprendizado atrás do outro, um erro e um acerto, um atrás do outro. Sempre tem alguma coisa faltando, ou coisas das quais gostaríamos de nos livrar. A vida nunca é tão plena, satisfatória e enriquecedora como as novelas e filmes a fazem parecer, a vida é só viver.


A vida começa com as bordas firmes como um livro novo, lombada intacta, cheiro de papel e tinta frescos, imaculada, mas depois um tempo as bordas ficam meio disformes a lombada amolecida e enrugada, o cheiro passa a ser um misto de todas as coisas que estavam jogadas dentro da bolsa junto com ele, quando a gente menos espera, se apega, e fica difícil dizer adeus. O livro Que ninguém nos ouça foi como uma pequena vida que me acompanhou por três dias e que agora está indo repousar em uma prateleira e dar lugar a outros livros e vidas que raramente serão tão interessantes quanto esse; um livro sobre a vida, vidas que dariam muitos livros.


Leila Ferreira e Cris guerra são duas mulheres brilhantes e sensíveis que dão um show de humanidade nessa obra. Que ninguém nos ouça, título do qual discordo veementemente, pois todo mundo deveria ouvir o que elas têm a dizer.

A realidade é que nunca damos valor o suficiente a algo que foi dito por alguém que não respeitamos ou não conhecemos bem, mas quando um amigo verdadeiro fala, a gente presta um pouco mais de atenção, apura os ouvidos, captura os detalhes, reflete, pondera, e quem sabe até muda de opinião.

Até hoje leio ficção com a mesma curiosidade infantil de quando li meu primeiro Sidney Sheldon aos dez anos de idade, prestando atenção em tudo, lendo devagar, porém, em conversas vividas eu me deixo levar e posso demorar dias, semanas num mesmo parágrafo, interpretando uma emoção. Eu tenho um fraco por histórias reais, e me entreguei de tal forma a essas 240 páginas que agora sinto um vazio existencial, sentirei muitas saudades dessas amigas que agora também são minhas.


A receita desta obra genial teve ingredientes bem simples, 4 meses, 63 emails, e alguns momentos da vida, lacunas que precisavam ser preenchidas ou removidas. Os ingredientes são simples, mas o preparo em si exige muitas experiências, trocas, aventuras, lágrimas, questionamentos e um bom café. Leila e Cris falam de feminilidade, casamento, sexo, amor, filhos, família, dieta, moda, viagens e tudo que somos capazes de viver, sentir e criar.


Ainda não existe uma cartilha intitulada “como viver”, mas existe esse livro que bem poderia se chamar “é assim que estamos vivendo, vê se te ajuda, porque pra gente tá funcionando”, como se fosse a apresentação de um novo estilo de vida mas é apenas a boa e velha cumplicidade que a gente aqui no Brasil chama carinhosamente de “tricotar”, termo esse que inspirou a singela capa que une as duas bonequinhas pelo fio emaranhado entre agulhas de tricô e computadores.


Fonte: https://onmogul.com

A arte de pôr em palavras aquilo que se sente, enviar para alguém que não está perto e ansiar por uma resposta se chama escrever uma carta. E eu amo cartas, então em cada De-Para eu ficava mais feliz e envolvida no assunto das duas mesmo que fosse sobre os filhos que não quero ter ou as flores que me recuso a comprar por achar que é coisa de gente morta mesmo achando elas lindas. A gente não concorda com tudo que os amigos dizem, e houve momentos em que fiz cara feia, mas nem por isso deixei de escutar ou tomar meu cafezinho com elas e continuar a prosa. Uma prosa tão deliciosa que lá no comecinho, na pagina 42, já me vi fotografando um trecho e enviando por mensagem ao meu melhor amigo intimando-o a participar da conversa. A falta que sinto dele, vivendo em outro estado, é preenchida nos curtos momentos em que coincidimos de estamos online. Ele lá e eu aqui. A Cris de um lado a Leila do outro. Uma advertência, quem não tem amigos, não deve ler este livro, a amizade e cumplicidade das duas pode ser um tiro certeiro num coração vazio, mas num coração repleto como o meu e o do Sávio, será como um adubo pra lá de merecido em nossas terrinhas remexidas que brotam flores ora espinhosas mas sempre nossas, flores vivas que não se deixam arrancar.



VOLUME LIDO: QUE NINGUÉM NOS OUÇA

AUTORAS: LEILA FERREIRA E CRIS GUERRA

EDITORA: PLANETA

1ª EDIÇÃO 2016.



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