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CRÔNICAS MODERNAS: ANEDOTAS PT.6

Atualizado: 6 de Dez de 2018

Clique aqui para ler a parte 5.


Os novos ricos sempre vão existir, enquanto isso um novo grupo surgiu.




OS NOVOS POBRES



Antigamente se falava nos “novos ricos”, tendo como principal referência a famosa família Buscapé. Gente de origem menos abastada que, do dia para a noite, passava adquirir artigos de luxo, frequentar locais badalados e comer em restaurantes requintados; após se deparar muito rapidamente com uma nova fonte de renda que elevava instantaneamente sua classe social.

Os novos ricos gostavam de comprar e ostentar todos os itens mais caros disponíveis, por menor que fossem seus verdadeiros valores, fazendo uso de jargões como: “agora a gente pode”. Exagerados, indiscretos e principalmente ingênuos, assim eram estereotipados os novos ricos, que agora residem em memórias de tempos remotos.


Fonte: Reprodução

Nesse momento, quem está no Brasil é porque ainda não tem o suficiente para ir embora. O patriotismo há muito morto, é hoje, assim como carros, aviões, empregados domésticos e presentes personalizados, coisa do passado.


A grande recessão Brasileira começou em 2014 e vem se arrastando até hoje, apesar do que os jornais e as propagandas do governo golpista querem nos fazer acreditar, o país está, de fato, na ruína. Uma das evidências mais gritantes, é a ascensão de um novo grupo social, uma nova camada da estratosfera brasileira de que anda perambulando pelas ruas dos bairros chiques, são eles: “Os novos Pobres.”


Eu estava em pé, aguardando o metrô, e tentava ler um romance grosso e pesado, sem muito sucesso, equilibrando-o na frente dos olhos com a dificuldade que somente uma pessoa sedentária há de ter, quando uma mulher se aproximou abruptamente, sem nenhum cumprimento, interrompendo minha tentativa de leitura, com a seguinte pergunta: “É verdade que o metrô pode parar no túnel, no meio do caminho, e ficar ali, uns três minutos, parado?” “Pode acontecer”, respondi levantando os olhos.

Ela empalideceu, virou-se aterrorizada para o homem que estava perto dela, e disse: “Eu não vou entrar naquilo!” Ele olhou para os lados, envergonhado: “É apenas uma estação”, contestou.

A plataforma enchia mais e mais a cada segundo. “Olha quanta gente vai entrar, vou ficar apertada lá dentro, naquela escuridão!” O homem lhe encarava, incrédulo e sem ação: “você não tem como ir de taxi”, acrescentou.

O metrô chegou, já lotado, eram cinco da tarde. Ambos se afastaram da beirada lentamente enquanto a pequena multidão se aproximava para embarcar. A mulher suava, transtornada. O homem afagava seu ombro, resignado. Eu embarquei no trem, eles ainda ficariam um bom tempo ali.


Sinto um misto de pena com vontade de rir, sempre que me deparo com um novo pobre. A nova realidade deles é a velha realidade de todos nós, meros mortais. Mas eles tratam tarefas simples e cotidianas como castigos cruéis e severos.

Basta observar; eles agora estão nas filas de bancos, pegam ônibus, pechincham nas feiras e ficam estagnados procurando os itens mais baratos nas prateleiras dos supermercados. Eles são todos brancos e vestem roupas caras, sapatos mais caros ainda e geralmente caminham devagar, como quem nunca precisou correr muito pra nada. Reclamam de tudo, “nossa quanta gente”, “nossa que calor”, “como assim não tem empacotador?”.


Um casal de idosos estava na fila do mercado com o carrinho semi-cheio, rostos preocupados, eles já deviam estar a bastante tempo na fila, pareciam cansados e espelhavam entre si o sentimento de pena. A vez deles chegou, o semblante que já era trágico, piorou: não havia um empacotador. Era nítido o desespero em seus olhares. Eles aparentavam ter ido pouquíssimas vezes na vida ao mercado na vida, e era provavelmente a primeira vez em um mercado de preços e produtos populares. A operadora de caixa registrou alguns produtos e notou que nenhum deles tomava coragem para ensacolar. Ela segurou um risinho, aquela não era a sua primeira vez cara-a-cara com um novo pobre, pegou duas sacolas, colocou uma dentro da outra, lentamente, inseriu um produto aleatório e em seguida estendeu a sacola-dupla para a senhora que continuou o serviço dali, seu marido ajudando. Condenados e unidos, na pobreza, como todos nós.

Outro dia uma amiga da minha mãe, de meia idade, telefonou; voz trêmula, jeito encabulado e gaguejando. Contou que precisou dispensar a empregada e que por isso estava ligando para pedir ajuda: “Rose, como é que se lava a privada?”



CONTINUA...

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