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Crônicas Modernas - AS RÉDEAS DA MINHA VIDA.


Eu gosto de produzir coisas que acredito acrescentar algo de positivo no universo. Muitas pessoas me cobraram vídeos, textos sobre o assunto a seguir, mas a verdade é que eu não tinha um motivo para contar, essa história não tinha absolutamente nada de positivo, até agora.


Dois anos sem emprego, com um livro mal vendido e uma ideia muito escassa do que seria meu futuro, foram suficientes para tomar coragem de me mudar para a Colômbia sem olhas para trás. Sim, meu namorado já estava trabalhando lá, mas eu fui de maluca! Juntei dinheiro, comprei passagem e tomei posse do meu destino, fui embora. E djá. Como se diz em espanhol.

Um ano na Colômbia me fez perceber que a vida não precisa ser miserável, ela pode ser só triste ou injusta, mas não precisa sempre ser miserável. Lá fora eu aprendi que é possível ter roupas e comida de qualidade ainda sendo um membro do proletariado. Eu triunfei, mas o preço foi o suor do trabalho e não perceber que eu poderia me divertir mais. Eu levei tudo muito a sério. Tudo tinha que ser perfeito, meus horários, meu dinheiro... Eu passei mais tempo arrumando as coisas do que realmente aproveitando, mas uma hora consegui mudar de trabalho e agora era meu momento. Aí veio a oportunidade de passar férias no Brasil. Imagine eu linda de chapéu chegando no Santos Dumont num dia lindo de fim de verão para ser turista numa das cidades mais lindas do mundo? Eu nunca fui no Cristo Redentor esse era meu momento. Compramos a passagens em dezembro. Mas a vida tinha outros planos para mim e pro Rafa.


No dia 10 de Março, ao pousarmos em terras Brasileiras já foi um Deus nos acuda com Rafa passando mal no aeroporto e tendo que ir para uma enfermaria, não bastasse isso, ficamos adoentados ao chegar no Rio também. Chegamos junto com outro ser que veio passar férias no Brasil, o Coronavírus.

No começo haviam muitos memes e a maioria das pessoas não acreditava que a doença fosse chegar no Brasil. Era algo que nem passava pela minha cabeça. Nem acreditei quando vi o Rafa com febre alta e tossindo, era algo surreal. Tentar encontrar remédios foi mais surreal ainda. Parecia que era só a gente que estava passando por aquilo, mas dez dias depois tudo fechou e a quarentena oficial começou. Nesse dia nossas férias acabaram, e um pouco das nossas vidas acabou também. E lá vêm meses olhando pela janela e pela tevê, vendo o mundo se acabar e um filme de terror se instalar no Brasil. Queria sim ser uma mosquinha no futuro ouvindo professores de história falando sobre 2020.

As fronteiras fecharam e nos demos conta de que talvez não conseguíssemos voltar para a Colômbia, nosso apartamento recém mobilhado e um mundo de planos que nos aguardava em nosso novo lar. Eu não morria de amores pela Colômbia, mas era minha casa. E de uma maneira ou de outra, eu estava feliz. Dez de maio, não voltamos, fronteiras fechadas, torneiras abertas. Só sabíamos chorar. O que fazer com o apartamento? O que fazer com nossas coisas? Para onde vamos? Ficamos. Mas fomos para um Hostel. Hora de clarear a mente, tomar uma decisão.

Não podemos ficar assim, decidimos com as mentes remoídas dentro de casa há meses num paradoxo do que seriam férias. Demoramos o mês inteiro para tomar uma decisão e enfim compramos a passagem. Chega de sofrer. Chegar de aceitar derrota a trás de derrota. Vamos embora do Rio, não pertencemos mais aqui.


Oito de maio. Dia de renovar as energias, dia de me encapuzar de plástico, máscara e muito álcool em gel e tomar as rédeas da minha vida. Vem Rafa, vamos.

No caminho algo estranho aconteceu, o céu se fechou todinho e tudo ficou branco e a chuva veio para lavar tudo. Vamos chegar em Salvador com tudo lavado, pensei, pode limpar, limpa a gente também!

Essa limpeza foi tão forte que não conseguimos pousar e acabamos pousando em Aracaju para esperar a casa ficar pronta. Agora sim. Estou num lugar onde eu decidi estar e depois de dois dias de muita chuva, hoje fez sol e pude apreciar uma linda vista do mar.

É uma égua muito arredia. Mas essa semana eu tomei as rédeas da minha vida.



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