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CRÔNICAS MODERNAS: ESMAGAMENTO


Fonte: Reprodução

GOSTAR, paquerar, ficar afim... A cada geração surgem novos termos para ajudar a descrever a recente atração por alguém.

Minha primeira flama foi aos cinco anos de idade, lá nos Estados Unidos, por um menino loiro e calado que sentava no fundo da sala com cara de quem queria incendiar o colégio. Eu me identificava com ele.

De lá pra cá, são incontáveis as pessoas por quem me interessei pelos mais variados motivos desde a tendência à psicopatia até o pelo modo como caminhavam. Afinal, eu me apaixono em cada esquina.


Aqui no Brasil, também se usa dizer que tem “um fraco” por alguém. Além da tão estimada “queda”. Mas nada, nada se compara ao termo anglo-saxônico recentemente universalizado pelas gerações Y e Z. O CRUSH.

Eu aprendi a palavra crush ainda criança, na mesma escola americana do menino loiro. Traduzida em sua literalidade essa palavra significa esmagamento. Em inglês não há outra palavra para a essa paixão.


Fonte: http://dc.wikia.com

Ao se universalizar a palavra, ela foi incluída como derivado da queda, e todo mundo pensa que é a mesma coisa que a paixão. Mas pra mim, não é. Ao se apaixonar, uma pessoa entende que existe algo que a atraiu àquele alguém. Algum fator crucial para despertar aquele interesse repentino. No entanto, crushar é quando a pessoa te sobressalta com diversas qualidades dela de uma vez só, formando um enorme rolo compressor que te deixa espalmado no chão, sem ar, sentindo ondas de satisfação fluírem pelo seu corpo.

O crush não é alguém que você conheceu agora, achou bonito e quer levar pra casa. Não. É alguém que você tem conhecimento de causa suficiente para se imaginar planejando casamento e três filhos só por que a pessoa te cumprimentou.

E quanto mais você descobre sobre ela, mais tem certeza de que serão felizes para sempre. É muito mais fácil se aproximar de alguém que você sabe pouco sobre e se encantou por apenas uma ou duas qualidades. Mas quando se trata de um crush, aquele acúmulo de características positivas da pessoa faz você se sentir muito autoconsciente dos seus defeitos e totalmente incapaz de tomar uma atitude. Raramente alguém dá em cima de um crush.


Pelo contrário, o que se vê pelas redes sociais é uma enxurrada de memes com olhos arregalados de pânico e a eterna piadinha da amiga, disfarça que meu crush tá ali. Aí a amiga encara com olhos mais arregalados ainda.

Na qualidade de mulher destemida e independente (#SQN), costumo dar uma atenção especial aos meus crushs e geralmente tento virar amiga deles. Vou sorrateira puxando um assunto aqui, outro ali até que uma hora chamo para sair lançando logo aquela foto nude bombástica que poderia ser publicada na capa da Playboy de Janeiro. Já sei que não vou casar nem ter três filhos com ele, mas não custa nada dar uma sarradinha, né? Afinal, já somos amigos. Essa é a receita do sucesso.


No momento eu tenho um total de três crushes, porque eu trabalhei no financeiro, então de balanço e investimentos eu entendo.

O primeiro estava namorando então foi fácil guardar na geladeira e ficar de longe esperando a monogamia fazer o trabalho dela de destruir tudo até sobrar um pedacinho dele pra mim. O segundo é um gênio literário, e só de pensar nele, minha calcinha sai voando pro Acre e sinto calores indescritíveis como se eu estivesse caminhando no sertão. O terceiro me chegou como quem chega do nada, arrebatou todas as idealizações de um prospecto de namorado perfeito e mereceu oclinhos de gangster pela forma como me conquistou. Qualquer semelhança com Teresinha de Chico Buarque é mera coincidência.


Amizades em dia, fofocas em dia, nudes e semi-nudes em dia. Hora do ataque. Foquei no segundo que morava mais perto, era solteiro e não me intimidava tanto, mas tive que chamar para sair três vezes até que ele aceitasse o convite para sentar numa mesa de bar e prosear comigo e com outra amiga bêbada numa noite de domingo.

Eu não estava tão alta quando ele chegou, mas quando o vi ao vivo e à cores, sentado do meu lado, pedi uma dose de cachaça e me afoguei em quatro copos de cerveja em dez segundos para superar a tensão. No final da noite ele me beijou.


Fonte: https://www.thepitchkc.com

Ainda estou estupefata. Será que ele reparou que enquanto me beijava eu não parava de sorrir? Nem sei de beijei direito, só sei que beijei, numa madrugada chuvosa, embaixo do guarda-chuva e que havia uma testemunha para me confirmar depois caso eu suspeitasse daquele beijo ser uma alucinação. Pois até então, tudo parecia ser fruto da minha extensa e obsessiva imaginação de bêbada crushada. Fui esmagada sim.


Muita gente não investe no crush por receio de perder a inspiração dos lindos sonhos à noite e aquela vontade de dançar quando toca qualquer música porque não para de pensar na pessoa e até uma cachoeira de dopamina dominar seu pobre cérebro mortal. Ninguém quer perder isso. Mas quem não arrisca, não petisca e nada, nada se compara à indescritível sensação quando você descobre que também é crush da pessoa.

Já dizia a revista, paixão é cocaína, amor é Rivortril. E eu completo, crush é esmagamento.




Fonte: http://dc.wikia.com

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