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Crônicas Modernas - LIGHT - A serviço de quem?


O tipo de pessoa que meu ex chamaria de lixo de ser humano acabou de passar pela recepção. Um homem mau encarado empregado pela companhia elétrica que fornece o serviço mais caro do país, a LIGHT. Enquanto aguardava ser atendido, o homem gravou um áudio de whatsapp usando as seguintes palavras: Bem feito, corta mesmo a luz dela, tem que cortar. Quer morar em Copacabana e não paga conta de luz? Quer morar na zona sul sendo que não pode?

Fechou o celular e disse a mim: né não, colega? Essa gente quer viver do que não tem.


Imediatamente fechei a cara e não respondi pois haviam outros clientes na recepção, mas eu queria dizer: alguém ainda tem?

E ficou a pergunta: onde jaz a empatia do carioca outrora reconhecido como um povo feliz e hospitaleiro?

No meio de uma das maiores crises da história, com um governo irresponsável, milhares de mortos por dia e uma das maiores altas de desemprego já vistas no nosso país, não estamos isentos de contas altíssimas como a da sanguessuga LIGHT nem o IPTU ridículo cobrado pela prefeitura. Não estamos isentos da necessidade de comida, medicamentos e, bem, o básico.

Enquanto muitos confundem privilégio com o mínimo de dignidade, alguns continuam fazendo “gatos” na fiação com o bom e velho jeitinho brasileiro; e quem paga essa conta?


Ainda arrisco dizer que no mínimo metade do bairro de Copacabana é ocupado por moradores de um aluguel abusivo que visa equilibrar o gasto ainda mais abusivo de transporte público e gasolina. Adianta morar num bairro mais afastado do centro e precisar pagar mais de vinte reais por dia para transitar? Somando tudo, será que dá pra morar num bairro onde você não tem medo de tomar um tiro a cada 5 minutos? Afinal esse é o único benefício da zona sul.


Mas e agora que muitas das empresas fecharam ou estão em recuperação judicial? O que restava da classe média está à míngua em edifícios antigos enquanto quem era pobre, mas ainda tinha alguma dignidade, virou a quantidade exorbitante de moradores de rua impossíveis de ignorar. O mundo mudou, seu moço…abra seus olhos! (eu queria dizer)


O centro da cidade virou um mausoléu de prédios vazios que só agora estão recebendo propostas para virar moradias mais acessíveis para a classe média baixa que já não tem condições de morar ou sequer existir. O que fazem para sobreviver aqueles que já não conseguem comprar o mínimo? Deixam de pagar uma ou outra conta e simplesmente torcem para sobreviver em meio a mais um lock down! É isso. Pare de falar merda, homem! (eu queria dizer)


Além de funcionários brutos com pensamento grotesco sem o mínimo de treinamento para empatia num momento tão difícil, e a falta de isenção ou auxílio ao povo carioca, a ultra capitalista Light ainda demonstra péssima gestão interna ao enviar essa semana dois funcionários para cortar a luz de um apartamento com todas as contas pagas. Hoje enviaram esse “fiscal” para vistoriar o referido corte (que não chegou a ser feito), e agora há pouco, enquanto eu escrevia esta crônica, chegaram aqui mais dois funcionários para fazer a religação desse mesmo apartamento cuja luz, ao contrário da luz do fim do túnel, nunca nem chegou a apagar.

Parabéns aos envolvidos.

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