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DESNUDANDO O LIVRO: PARA EDUCAR CRIANÇAS FEMINISTAS - Chimamanda Ngozi Adichie


A gente nasce, cresce e um dia se dá conta de que o mundo é um lugar injusto; e, mesmo que seja por um momento, sentimos vontade de mudá-lo.

Esse sentimento pode se perpetuar por uma vida inteira (eis a origem dos revolucionários), mas geralmente acaba sendo abatido por uma súbita resignação capitalista; o ensinamento de que se o mundo é injusto, deve haver algum motivo para tal. É algo que repudio fortemente, pois o mundo é o que fazemos dele, ele pertence a quem nele vive e é nosso dever, individual e coletivo, buscar a justiça e a verdade. Mas eu sou uma revolucionária.

Designações e resignações à parte, o fato é que as pessoas, como um todo, em algum momento de suas vidas, desejaram justiça, respeito, e igualdade. O direito de se manifestar, o direito de agir em prol do que achavam certo na hora, e todos, sem exceção, já foram em algum momento silenciados e negados a tais direitos, e isso tudo geralmente acontece na infância. Quando somos ensinados que somos “jovens demais” para compreender certas questões.

Todas as pessoas já quiseram mais espaço, mais lugares de fala, e desejam manifestar suas opiniões no intuito de querer contribuir com o mundo e com a forma como as pessoas vivem. Todo mundo já teve algum insight do tipo: “isso não está certo, preciso fazer algo”. Mesmo que depois o deixassem para lá, esse sentimento já habitou em 99,9% dos peitos de quem respira.


Principalmente da nossa geração, uma geração de sonhadores, criados assistindo e lendo desenhos e filmes de super-heróis que nos diziam que não era preciso muito para salvar o mundo, apenas boa vontade. É preciso apenas um olhar crítico para saber identificar o mal, e querer combate-lo. Que basta ter a capacidade de enxergar dualidade antagonista que rege nossas vidas; o bem versus o mal, e entender que mal está, de fato, vencendo.

No entanto, a gente acaba precisando aprender do jeito difícil, que não é bem assim...

Infelizmente, a sociedade em que em que vivemos ainda resiste na missão de silenciar as opiniões que seguem contra as definições padronizadas pelo capitalismo.

A doutrinação da resignação nunca cessa desde a infância à vida adulta. Uma sociedade que tenta baixar a cabeça de todos para que ninguém enxergue que existe um mundo melhor acima do que o que vivemos. Que existe muito mais do que bem versus mal. E tudo isso enquanto assistimos filmes de super-heróis... Chega a ser um paradoxo filosófico-cultural.


Muitas vezes levantamos a cabeça para dar uma espiada nesse outro mundo, conseguimos vislumbrá-lo através dos manifestos revolucionários e encontramos tanta coisa diferente por lá, que é possível entrar em choque e até afastar o desejo de se elevar. É natural, repugnar aquilo que é diferente, que causa estranhamento. Nos ensinaram isso, mas a criança dentro de cada um de nós sabe que é preciso fazer algo para mudar, mesmo que ela tenha sido doutrinada ao contrário.


Sim, nós fomos ensinados o contrário do certo, nós fomos ensinados a aceitar o mal e a injustiça como sendo coisas necessárias para o mundo, para o equilíbrio, mas elas não são. E é possível reeducar as crianças que habitam dentro de nós e educar as novas crianças para mudar o mundo.

Ser feminista nada mais é do que desejar uma sociedade onde todas as pessoas sejam igualmente respeitadas e valorizadas independentemente de suas características biológicas ou físicas. O feminismo prega que enxerguemos que o que está por trás de todos os estereótipos que fomos ensinados, nos ensina a questionar e a exigir mais da nossa capacidade de empatia e enxergar o que de fato é justiça e o quão longe estamos dela. Ser feminista é dar voz à criança revolucionária que fomos mesmo que por alguns segundos.


Se queremos um mundo justo, é preciso reeducar nosso senso de justiça, e nossa capacidade de fazê-la acontecer, é preciso questionar o que fomos ensinados lá atrás. E uma das melhores maneiras começar a fazer isso é lendo o livreto PARA EDUCAR CRIANÇAS FEMINISTAS – UM MANIFESTO, da ilustríssima Chimananda Adachie.


É literalmente um manual de como não permitir que uma criança se torne um adulto resignado, e conformado com a desigualdade. E de como deixar de ser um se você for.

Estou impressionada com o quão despretensioso esse livro consegue ser mesmo quando ele carrega todo esse poder transformador. É um divisor de águas, e literatura obrigatória pra todo mundo que já foi criança.



VOLUME LIDO: PARA EDUCAR CRIANÇAS FEMINISTAS

AUTORA: CHIMANANDA NGOZI ADICHIE

1ª EDIÇÃO: 2017

EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS




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