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 PARA +16 ANOS  

MULHERES E DEUSAS - Renato Nogueira.

Atualizado: 7 de Fev de 2019

"Mulheres e Deusas: Como as divindades e os mitos femininos formaram a mulher atual."



O livro me conquistou por uma frase na contracapa:

“...a partir de um lugar de fala masculino baseado num diálogo entre pontos de vista femininos e masculinos.”


Eu jamais deixaria de comprar um livro que traz consciência de gênero sem nem precisar abri-lo, né?

Me conquistou de cara, e depois foi só amor. Ele começa bem, prossegue arrasando e termina aniquilando!


Inclusive ainda estou arrepiada após ler a última frase da obra, a qual vou me permitir citar aqui: “Mas a esperança permanece conosco. E devemos isto a uma mulher...”.


Quando um livro que termina em reticencias, ele mostra o sentimento misto do autor entre querer falar mais e saber que é hora de parar, deixando o restante a cargo da reflexão do leitor, quase como uma experiência interativa. Chega a dar vontade de bater na porta de Renato Nogueira, escritor de Mulheres e Deusas, e falar: “Conta mais um pouco, vai, quero mais, pufavô!”.

Mas é assim mesmo, tudo que é bom, dura pouco, e esse queridíssimo livro, que não passa de 160 páginas é um deleite para todo mundo que curte um bom livro de cabeceira. Daqueles que a gente lê cinco páginas antes de dormir, e no dia seguinte tem assunto para, no mínimo, três horas de almoço.


O que é ser uma mulher? Porque há tantas definições e parâmetros, provenientes de pontos de vista masculinos, para delinear o perfil e comportamento da fêmea humana?

Renato Nogueira, além de fornecer algumas respostas para as questões propostas acima, nos mostra como, através da história, a mulher vem sendo simbolizada dentro de contextos míticos e religiosos, e como essas lendas milenares se aplicam dentro do âmbito sociopolítico contemporâneo na era pós-feminismo.


Mulheres e Deusas apresenta fielmente as histórias folclóricas e religiosas de diferentes culturas, porém trazendo uma interpretação laica e extremamente política para cada uma delas. Começando com as famosas deusas do Olimpo grego, Renato Nogueira se aprofunda e desmistifica estigmas de personagens já conhecidas como Afrodite, Perséfone e Pandora, entre outras. Colocando uma nova luz sobre os velhos costumes gregos.


Do mundo grego ele se transporta para a vasta e mágica cultura africana de Iorubás, contando origens e significados de alguns dos diversos Orixás que representam a natureza e as transformações da vida de uma maneira geral. Deusas que antes foram motivo de tabu, aqui são merecidamente elogiadas e enaltecidas. Um escândalo de sabedoria.

Ainda no continente africano, somos levados às raízes da cultura judaico-cristã, com as origens do livro de gênesis. O capítulo trata sobre as personagens Eva e Lilith, fazendo analogias comportamentais e dando pequenas alfinetadas no modo redundante como a bíblia retrata a suposta malícia originária do pecado cometido pela mulher. É a dar água na boca alguém finalmente falando que tem algo seriamente obsessivo no modo como os autores da bíblia interpretaram a psique feminina. E como toda boa história bíblica, chega até a dar um pouco de medo quando percebemos como essa imagem cristã é forte e manipuladora dentro da nossa sociedade até os dias de hoje. Impedindo que muitas mulheres atinjam seu potencial por estarem presas às associações religiosas.



Da África, diretamente para as terras guaranis, Renato traz algo inusitado, a releitura do folclore que nasceu nas matas tropicais da Amazônia e que pouco a pouco se perde com a falta da valorização de um povo que foi praticamente dizimado. Chega a ser uma afronta para aqueles que acham que índios são um povo sem cultura ou legado, as historias guaranis são até mais fascinantes do que as famosas gregas e só pra deixar a vontade de conhecer, vou citar aqui uma das frases mais marcantes desse capítulo maravilhoso: “... por meio da figura do pai que mata a filha, Iara sobrevive e continua no fundo do rio, poderosa.”.

Nem preciso falar mais nada, né? São histórias fantásticas, de mulheres fantásticas que trazem ensinamentos fantásticos e ainda rende assunto pra hora do almoço, barzinho, discussão política, sermão nas filhas, amigas, amigos e o principal, conhecimento histórico.

Além de contextualizar, Mulheres e Deusas também pincela pontos importantes das localizações geográficas das quais originam as lendas, além de analisar o período histórico em que as mesmas foram criadas.


Para finalizar, o autor traz um texto conclusivo extremamente visceral, que serve de alerta para a forma como costumamos interpretar essas histórias e como nós, mulheres, precisamos tomar posse da nossa grandeza para que no futuro a representação simbólica da imagem feminina traga menos submissão e mais luta! E aqui, para finalizar, cito mais uma vez o autor:


“O principal ensinamento para nós é desaprender, estar livre o suficiente para reconsiderar o que sabemos, com a intenção de mergulhar numa compreensão que nos enriqueça realmente.”

Enriquecimento é, de fato, o sentimento que prevalece desta leitura. Obrigada ao autor.



VOLUME LIDO: MULHERES E DEUSAS

AUTOR: RENATO NOGUEIRA

1ª EDIÇÃO: 2018 - EDITORA - HARPER COLLINS


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