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MULHERES E PODER. UM MANIFESTO - Mary Beard

"Para ajudar a “curar” a síndrome da associação por gênero, venho hoje falar sobre uma obra valiosíssima para a nossa sociedade, MULHERES E PODER – um manifesto, da autora Mary Beard."



Um pequeno texto, seguido de uma pergunta, causou furor nas redes sociais entre 2016 e 2017, ei-lo aqui:


"Pai e filho sofrem um acidente terrível de carro. Alguém chama a ambulância, mas o pai não resiste e morre no local. O filho é socorrido e levado ao hospital às pressas. Ao chegar no hospital, a pessoa mais competente do centro cirúrgico vê o menino e diz: ‘Não posso operar esse menino! Ele é meu filho!’.”
Pergunta: Quem é a pessoa mais competente do centro cirúrgico?

Para alguns leitores, pode parecer uma resposta obvia, porém estão em um número bem menor do que os deram respostas como: 1 - avô, 2 - marido do pai, e ainda 3 - aqueles que questionaram se o pai do menino realmente havia morrido; entre outras respostas estapafúrdias, dessas que a gente só encontra na internet, porque ninguém teria a audácia de proferir em público.


Pois bem, caso você seja uma dessas pessoas, não fique triste, eu também fui. Mas passei a me informar melhor, estudar mais sobre o assunto, e hoje tenho certeza de que eu não teria falhado no teste como falhei há dois anos. A resposta da pergunta é: A mãe.

Raras foram as pessoas desconstruídas a tal ponto de associar “a pessoa mais competente do centro cirúrgico” com uma figura feminina. E essa raridade se dá pelo legado patriarcal, do qual eu sou vítima e provavelmente você também.

Para ajudar a “curar” a síndrome da associação por gênero, venho hoje falar sobre uma obra valiosíssima para a nossa sociedade, MULHERES E PODER – um manifesto, da autora Mary Beard.




Elaborado a partir de palestras da docente na universidade se Cambridge, o livro é dividido em dois tópicos, A VOZ PÚBLICA DAS MULHERES e MULHERES NO PODER.






Na primeira parte, a autora faz uma análise de contexto histórico no qual ela compara as manifestações públicas das mulheres na antiguidade clássica com o cenário contemporâneo, e pode ser difícil de acreditar, mas pouca coisa mudou.

Hoje, com a inclusão das mulheres no mercado de trabalho, há mais representatividade e espaço para fala do que na antiguidade, porém não há a mesma validação do que é dito pelas mulheres, como há para o que os homens dizem. Logo, existe uma depreciação explicita de profissionais extremamente competentes como a mãe do menino do texto que peguei na internet.

Com exemplos de personagens históricas e modernas, Mary Beard, levanta hipóteses e traz questionamentos que auxiliam na desconstrução dessas associações às imagens feminina e masculina.



Acontece que o espaço para fala e a liberdade de expressão sempre foram direitos exclusivos aos homens, direitos estes que eram tratados inclusive como características inerentes ao sexo masculino. Ou seja, lá no fundo, impregnado na nossa cultura ocidental está a vaga ideia de que uma “autoridade” seja ela em que assunto for, sempre será associada a uma imagem masculina.

Sendo assim, acaba sendo um choque para algumas pessoas ao descobrirem que a mãe do menino era a pessoa mais competente do centro cirúrgico. E esse cenário precisa mudar, pois além de injusto e excludente é simplesmente mais um artificio inventado e mantido para manter as mulheres sob um controle de submissão que não mais pode existir.



Na segunda parte do livro, Mary ultrapassa as barreiras da validação e analisa como é de fato a experiência de uma mulher no poder. Iniciando pelos conceitos de estética, a autora mostra que não existe um modelo característico de mulher poderosa, a não ser uma espécie de androginia proposital que serve para “facilitar” a aceitação da autoridade da mesma, pelos demais homens no poder.

É algo simplesmente revoltante de se ler, existem mulheres que fazem exercícios vocais para engrossar a voz no intuito de serem mais respeitadas em suas profissões, como se qualificação e experiência não fossem suficientes. Além de usarem terninhos e calças constantemente, as mulheres no poder ainda precisam lidar com diversas humilhações e até a desumanização, quando que seus discursos são tratados como “mugidos”, “urros”, “latidos” e etc. Isso sem contar as chulas associações à figuras medonhas, xingamentos explícitos à genitália feminina e até ameaças, simplesmente por ocuparem lugares de destaque.



Mary também aborda as diferentes linguagens que são ensinadas aos homens e mulheres, na infância, e semeiam esse distanciamento cultural na vida adulta, que torna difícil a aceitação da autoridade feminina de ambos os lados, gerando a síndrome do impostor onde as próprias mulheres no poder acabam duvidando do seu direito de ocupar as posições altas e do direito de errar. Para finalizar, a autora mostra em dados, o quanto ainda precisamos avançar com a representatividade parlamentar feminina e traz uma referência bibliográfica bem rechonchuda e detalhada para quem gosta de mergulhar nos temas.

Em pouco mais de cento e vinte páginas recheadas de imagens e referências, com uma linguagem moderna e atual, com um toque de ironia, e uma capa dura absolutamente linda, MULHERES E PODER é uma leitura obrigatória para quem quer entender melhor a estrutura machista da sociedade ocidental, e como herança da antiguidade clássica ainda nos impacta nos dias autuais.







VOLUME LIDO: MULHERES E PODER – UM MANIFESTO

AUTORA: MARY BEARD

PRIMEIRA EDIÇÃO

EDITORA: CRÍTICA

Tradução: Celina Portocarrero




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