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 PARA +16 ANOS  

TEORIA KING KONG - Virginie Despentes

Atualizado: Fev 15

O livro me foi indicado por um conhecido que ficou pasmo ao saber que eu ainda não havia lido, e francamente, depois de tê-lo lido, também indago: com é que eu não havia lido isso antes?




A obra originalmente publicada na França, foi lançada em 2006, mas só veio a ser distribuída em terras tupiniquins em 2016 pela N1 Ediçoes, num lindo formato com a lombada recortada que torna o livro mais difícil de segurar porém muito mais lindo de se ver, quase que como uma metáfora em relação ao conceito patriarcal de feminilidade, que é um dos temas principais do livro, algo lindo na teoria porém quase impossível de se sustentar na realidade prática.

Falando ainda da estética deste volume, a capa traz uma imagem que se assemelha um vidro quebrado, ou um espelho quebrado na cor rosa, mais uma vez reforçando o indício de quebra do conceito daquilo que é imposto ou associado às mulheres. A ruptura de uma imagem do feminino.



No livro, Virginie Despentes, diz que torna-se Virginie, que foi um processo de composição desde o início de sua trajetória ate o que realmente lhe define, e o livro se tornou um relato autobiográfico da trajetória sexual dessa mulher que nunca se encaixou exatamente num padrão social, mas que no meio punk encontrou a abertura para expressar e se explorar como bem quisesse.


A obra é dividida sete capítulos que trazem textos ora contínuos, ora desconexos, explorando diferentes temáticas que se mesclam numa apresentação surpreendentemente homogenia que cria um retrato bem claro de quem é voz por traz dos textos.

Virginie Despentes é uma mulher que não tem um prazer quase masoquista em desafiar o padrão, masculina, libertina, autora, cineasta, punk, artista e rebelde, a sociedade daria infinitos adjetivos a ela. E deu! Mas mesmo com muitas experiencias negativas nas costas, ela demonstra que o que sente mais é o orgulho em não ter se permitido tornar-se parte de um contexto social machista para garantir algum conforto. O orgulho em quebrar o espelho que nunca refletiu quem ela era mais sim o que a sociedade queria que uma mulher como ela fosse. No meio de suas palavras é possível saborear um raro gosto de liberdade.



Em Vícios frenéticos, Virginie traz um prefácio inquietante e afrontador que prepara o leitor para todas as polêmicas que irá descontruir mais a frente, através de relatos de sua própria vivencia.


Eu te fodo ou você me fode é o primeiro capitulo, onde a autora traz sua percepção do status quo da mulher na época de sua juventude e de como a revolução feminista trouxe poucos frutos até a era moderna e ela faz uma analogia entre o controle absoluto do estado que age como uma infantilização que nos impede de tomar certas decisões.


Em Impossível estuprar esta mulher cheia de vícios, a punk traz um relato impactante e ao mesmo tempo desafiador, de sua experiencia pessoal sobre sofrido um estupro na década de 80 ao pegar uma carona com sua amiga.

Ela faz diversas analogias com as estruturas sociais que permitem que esse tipo de fenômeno continue ocorrendo, o silenciamento da violência. A identificação com outras mulheres que também sofreram isso e como sua relação com o estupro teve diversas fases e afetou sua vida de diversas maneiras até a resignação. A aceitação e a ressignificação daquilo para ela. Novamente um raro sabor de liberdade e quebra de estigma que relaxa a tensão da dura da mulher que fora violentada e o que ela representa para a sociedade.


Dormindo com o inimigo é uma nova faceta experimental de Virginie, desta vez como prostituta. A autora explica como foi sua experiencia com a profissão, os riscos, os aprendizados, o poder que havia naquilo tudo. De forma despretensiosa ela desconto a imagem que o leitor tem do que é uma jovem que se prostitui, suas razões e como é sua vida particular.

Algo muito interessante que eu aprendi com este livro é um tipo de feminismo que eu sabia que existia mas nunca cheguei a refletir sobre seu fundamento é o feminismo pró-sex. Onde procura-se desassociar que uma mulher feminista precisa ser automaticamente séria e passar um aspecto masculino quando na verdade o feminismo também pode ser a descriminalização do poder absoluto sobre o próprio corpo.

Virginie busca simplificar a compreensão do acordo consensual que há entre adultos e que há muitas estigmas que precisam ser quebradas neste assunto se queremos mesmo falar sobre a essência do feminismo.


Pornofeiticeiras é um capitulo que segue o fluxo já estabelecido no livro, porém agora tratando da pornografia, e descontruindo o senso comum, a autora traz um ponto de vista onde existe uma importância social na pornografia e uma função quase antropológica! Ela também fala da imagem representativa do que é o sexo para uma mulher e da masturbação feminina.


King Kong Girl é uma metáfora conclusiva do papel que a mulher representa sexualmente e a limitação deste papel como um todo. A autora fala sobre uma de suas primeiras obras que onde abordou o sexo e as críticas machistas que ela e sua obra sofreram, as perspectivas masculinas na sua ascensão como artista controversa, sua desvitimização, e a masculinidade versus virilidade. Viginie chega a uma espécie de destino onde todas as suas experiências foram como pontos de parada na trajetória de ser uma mulher unicamente livre e que dá graças ao Punk por isso.


Boa sorte meninas é a despedida onde Virginie deixa seu último manifesto de luta de revolução e sede de mudança e libertação com tons de cacos de vidro, batom borrado e um dedo do meio na cara da sociedade.







VOLUME LIDO: TEORIA KING KONG

AUTORA: VIRGINIE DESPENTES

PRIMEIRA EDIÇÃO

EDITORA: N1

Tradução: Márcia Bechara




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